26 de mar. de 2011

Resenha - Chatô: o rei do Brasil

Assis Chateubriand, ou Chatô, é o que podemos chamar de self-made man. A infância com gagueira e a alfabetização tardia não prenunciavam uma carreira meteórica nos campos da comunicação e da política. A dedicação aos estudos e ao trabalho trouxe ao garoto de Umbuzeiro outra definição: cidadão Kane brasileiro.
São tantas coisas a dizer: o modo irreverente, a passionalidade, os “pisões” na ética, a compra de jornais e rádios, as dívidas, as alianças e separações com políticos da estirpe de Getúlio Vargas, as grandes entrevistas com Churchill e Kautsky, os problemas com a polícia, as grandes amizades com Farquhar e Rockfeller, as inimizades com os Matarazzo, as inovações no modo de se fazer jornalismo, as campanhas obscuras do MASP e da aviação civil, a lei Teresoca, a vida como senador e embaixador, a vida após as tromboses cerebrais...
Entre tantos fatos, cabe destacar então algumas características de Assis Chateaubriand: o pioneirismo - na compra de máquinas modernas para seus jornais e revistas, a formação de uma elite de jornalistas dentro de seu conglomerado, o início da TV Tupi, o novo estilo nos modos de escrever, diagramar e fazer publicidade -, o estrangeirismo - valorização dos pensamentos, produtos, artes e modos de vida europeu e norte-americano, comparações entre o Brasil e outros países, o gosto pela filosofia alemã - e o progressismo - fé no capitalismo e nas grandes construções e críticas àqueles que, em sua concepção, não contribuíam para o progresso do país.
A vida de Chatô é de suma importância para o estudo do jornalismo brasileiro. Sua figura polivalente e muitas vezes contraditória serve para exemplos e comparações. Chatô, com toda a certeza, influenciado pelo filósofo alemão Nietzsche, considerava-se “acima do bem e do mal”.

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