15 de mar. de 2011

#2012facts

Se um vampiro não sofre mais com cruzes e água benta ninguém reclama. Se ele brilha a luz do sol, menos ainda. Se a combinação pseudo-banda-de-rock + fãs se torna a tão sagrada e falida instituição sociológica família, poucos criticam e, aqueles que o fazem, levantam apenas argumentos musicais e não culturais. Se bateristas tem braço fino ninguém arremessa pedras. Se canções exaltadas em momentos de folia possuem apenas uma dúzia não completa de porcas e insignificantes palavras, não há um puto que diz “isso é uma merda!”
Essa é a maldição do mundo após os ataques de 11 de setembro. Parece que as pessoas se esqueceram das velhas fórmulas que davam certo até os anos 90 e simplesmente passaram a consumir o lixo que cai no esgoto das indústrias fonográficas e cinematográficas. Poucos são os que restam. Ainda bem que Mano Brown nos avisou que até no lixão nasce flor. Ainda bem.
Grandes aterros sanitários são criados quando a nossa cultura pop une coisas que são boas. Jason e Freddy Krueger, Alien e Predador, super-heróis do cinema e do videogame, vampiros e lobisomens, elfos e orcs e anões e druidas e humanos e zumbis e seres fantásticos e demônios e anjos e mais uma caralhada de outras coisas. Esse é o mal. Para um produto ser bom, ele tem que trazer tudo que já foi lançado até aquele momento, todos os personagens, cenários, situações, diálogos e, inevitavelmente, clichês. É um verdadeiro arco-íris. É um Restart após o outro. Faltam as benditas inovações e criações. Faltam propósitos, causas, filosofias. Isso! Está faltando filosofia! Encontros todos os sábados na minha casa, somente para os interessados.
O grande pênis que está situado na prostituta chamada cultura pop, e que ninguém vê na escuridão do beco é a ausência do pensamento. Devido ao apelo da velocidade, da instantaneidade, do “vai, vai, ah, vai”, ninguém mais anda pelos campos, ruas ou mesmo senta-se à varanda (sim, isto ainda existe) para, veja só, pensar. A ação que fez o homem evoluir não é mais praticada. Tornou-se um vírus contagioso, maléfico aos neurônios. É o vírus contagioso da prostituta cultura pop.
Não é necessário largar a maravilhosa tecnologia que nos cerca. Ora, se ela foi uma evolução do pensamento, porque não usá-la? No entanto, procure recostar-se num cantinho legal, esticando as pernas, aproveitando a brisa (não precisa usar drogas), lendo um bom livro ou ouvindo uma banda que tenha conteúdo, que te faça tomar conhecimento de algo novo. Faça com que os fatos descritos no primeiro e terceiro parágrafos deste texto de indignação não sejam o prelúdio de dezembro de 2012. Faça valer sua capacidade de pensar e agir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário