28 de out. de 2011

Penso que um dia as pessoas vão ler sobre nós e vão se admirar...


E se pelas divisões do paralelepípedo não houvesse os mesmos homens e os mesmos desejos evocados? E se as fotos da época não ilustrassem as mesmas expressões com bocas abertas e um olhar que por si não precisa justificar. Se o mesmo furor político não tivesse os mesmos motivos a história do Brasil poderia ter sido outra, poderíamos ter nos tornado cidadãos diferentes, ou não.
Nossas paredes têm história. Mas...

Eu queria ser bem mais que um tijolo no muro do esquecimento. Queria ser bem mais que uma camiseta rasgada, um registro na justiça ou uma indenização do governo.
Bem mais, que uma foto preta e branca em locais de destaque em Universidades.
Queria que os brados dos compatriotas não tivessem sido calados pelo comodismo das novas gerações.
Queria por fim que em minha memória não restasse a dúvida de que hoje não existe mais o valor do ‘conseguir’. Que não há lutas para burlar os abusos e que não existem aqueles que dão a cara a tapa. Estes que assim o fizeram morreram na poeira das décadas subsequentes.
E hoje? Onde estão as placas escritas à sangue e o palito que ascendeu o fogo que incendiou aquelas praças?
Há quem devo lembrar? Que objetos que constituíram minha nação devo guardar e dar segmento? Há quem estamos homenageando se não temos em vida quem os represente?
Anistia a quem? Diretas pra quem? Caras pintadas de quem?
@gi_cabral é inimiga pública nº1 queira isso ou não, por ser tão personal.

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