28 de abr. de 2011

Dostoiévski, Platão, nerds e a paz (que invadiu o meu coração...)

Estava lendo Memórias do subsolo, de Dostoiévski, indicação e empréstimo de uma colega, quando me deparei com um capítulo onde o personagem principal planeja uma simples vingança: trombar com um oficial numa calçada, "mostrando" que ele não precisa desviar, como sempre o fez, causando uma possível e desejada discussão. Ele prepara tudo, compra roupas, imagina suas falas e, quando o fato ocorre, ele´simplesmente é ignorado pelo oficial. Mas sente-se orgulhoso. Em um capítulo anterior, ele entra num bar com o objetivo de caçar uma briga, mas não consegue. Percebi o lado nerd de Dostoiévski. Achei meu ponto de partida.


Nerd que é nerd sempre planeja vingar-se daqueles que fizeram algum mal a ele. Às vezes, ele se contenta em ver o seu "agressor moral" (ou físico) se dando mal em alguma situação, mesmo que o nerd não tenha qualquer relação com o ocorrido. Ou acha ótimo quando dá um esporro em um funcionário que já foi seu colega de sala. Ou muitas vezes, como no meu caso, se delicia somente em imaginar como o valentão se daria mal. Só o planejamento mental me faz feliz e vingado.

Isto se dá porque os nerds não possuem músculos avantajados. Por mais que queiram, não conseguem fugir dos estereótipos do magricela idiota ou do gordo patético. Se não são fortes, imaginam que uma luta corporal seria extremamente desvantajosa para os seus lados. Um confronto de Starcraft II seria o ideal. O máximo que conseguem imaginar é um duelo, no melhor estilo cavalheiresco ou RPGístico, onde cada um respeitaria seu turno de ataque e defesa.

O mundo seria bem melhor se os nerds chefiassem as grandes nações. As guerras seriam travadas em redes sociais e a vitória se daria no apagamento do perfil do adversário. Nenhuma gota de sangue seria derramada. Nenhuma mãe iria chorar pela morte de seu filho. Nenhuma nação perderia jovens que pagariam impostos por toda a vida.

Platão, na República, desejava que os filósofos governassem as nações. Eu quero que os nerds chefiem os países. Mas não é necessário pegar em armas para isso.



Leandro Freire é nerd e moderniza Platão: "Enquanto os nerds não forem reis, (...) não haverá remédio para os males da cidade, nem até para o gênero humano."

Leandro Freire

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