7 de mar. de 2011

De olho no gato

  Há algum tempo eu venho reparando nas últimas coleções da Prada e percebendo o quanto a marca vem mudando. Se antes Anna Wintour dizia que o único motivo de ela ir para a Semana de Moda de Milão era a própria Prada,  isso passou a me convencer. Não pelo fato de ser a única marca da semana, mas por ter se renovado tanto. Não quero desvalorizar as outras inspirações (Gucci, Dolce, etc) mas falando em conceito globalizado, dona Miuccia fez bem o seu papel.  A marca careta das mulheres que iam pra um restaurante tomar Martini ao contrário da garota Gucci que ia para as boates tomar vodka e ficar bêbada, agora faz parte dos dois mundos. A Prada se inovou de tal forma que até os adolescentes e o próprio mercado das celebridades estão apostando nas tendências que a marca lança. Vemos também que a própria chefa-mor esta se inserindo no meio “globalizado”. Hoje vemos Miuccia em desfiles cerimoniais, homenagens, apresentações de artistas (como Lady Gaga, a qual ela mesma disse ser “a revolução da estética e forma de se expressar visualmente no século XXI).
     A Prada não é mais aquela conservadora marca italiana e que chama atenção das madames de sapatos de bico fino. Agora ela é colorida, divertida. Ela é Nova York. Sim, foi a primeira coisa que me veio a cabeça quando vi as últimas coleções. A própria Miu Miu é um reflexo do que a Prada se tornaria. Ela é jovem e única, a filha da Prada. A filha bem arrumada, claro. Os bastardos, como são chamados os compradores das lojas fast fashion, estão sempre loucos por uma parceria, para ver os desenhos de Miuccia materializados nas araras mais populares como fez Alber com a Lanvin para H&M. O mais difícil é aceitar que isso nunca possa acontecer, por que além de ser muito rígida com a forma se fazer roupas ela sempre bate na mesma tecla de que seu trabalho custa ideias e ideias no mundo de hoje custam muito dinheiro.
     Voltando no que havia dito sobre Nova Iorque, creio que Miuccia tenha sido muito influenciada por Marc Jacobs, que fez a Louis Vuitton triplicar as vendas e
inserindo-a no mercado mais jovem. Realmente funcionou e pelo que todo mundo vem notando, ela também soube usar os mesmos artifícios. Mas só pra lembrar, nós, humildes fãs, ainda sonhamos com as echarpes listradas no pescoço.

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